MEU RIO PARAÍBA

t.jpg
t.jpg

Tive muitas manhãs quietas na infância...
O rio Paraíba, atrás de casa, passando lentamente
e eu sentadinha na margem jogando pedrinhas na água,
encantada com os círculos pefeitos que elas faziam.

Agora, nesta manhã de dor profunda, própria dos adultos infelizes, eu me entrego a um sabor doce de sonhar.

Volto a ser aquela menina de cidadezinha do interior
e me dou inteira às coversas com o meu rio.
Apesar de não falarmos nada, nos entendíamos naquela paz profunda e linda.

Ele pressentia quando eu chegava triste, com uma dorzinha de criança que se sentia incompreendida e na verdade tão mimada e tão amada.

Aí, ele corria mais docemente, tentando não fazer barulho,
para acalentar o meu sono e se mostrava mais bonito,
manso e dengoso se espalhava mais.

Nessa manhã de mulher mergulhada em desamor,
eu me sinto pertinho do meu rio e fico alheia
aos desencontros que esfarelam as esperanças.

Hoje, esse momento é somente meu.
Quero o silêncio de cidade pequena,
adormecer à beira do meu rio e conversar com ele...

Eu, mulher, quiz fazer dos sentimentos
o som que o rio Paraíba deixou preso
mansamente nos meus ouvidos
e procurei viver com a mesma paz
com que ele me embalava o sono magoado...

Percebo nas minhas imperfeições,
que pouco consegui, do que o rio me ensinou.

Mas, dizem que às vezes ele fica enfurecido,
causa danos e machuca as pessoas.
Eu entendo. Também sou assim:
Horas de agitação e outras de mais tranquilidade.

Só que o destino do meu rio é a imensidão do mar
e o meu destino é o inesperado.
Minha chegada final,
só a Deus pertence saber!